segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Nada de surpresas

Quatro partidas com resultados previsíveis na abertura do Campeonato Mineiro. Com grande público e jogo fraco, Atlético e América não saíram do zero, no Mineirão. Chances foram poucas para os dois times. Pior para o Galo, que deixou a torcida com o grito entalado, mais uma vez. Aliás, é a quarta partida oficial que o Atlético não balança as redes. Três pelo Brasileiro/08 – Sport, Santos e Grêmio – e a estréia de ontem. O América mostrou que precisa melhorar para fazer boa campanha no estadual.

Pelo interior, previsível a vitória cruzeirense sobre o Uberlândia. Jogou para o gasto e os 2 a 1 ficaram de bom tamanho. O Verdão do Triângulo tem uma tabela ingrata. Quarta-feira enfrenta o América, no Independência e no dia 08/02, joga contra o Uberaba, também fora de casa.

As vitória do Ituiutaba sobre o Uberaba, (1 a 0) e do Rio Branco sobre o Villa Nova, (3 a 1) são resultados normais para equipes que se equivalem. Quem assistiu a vitória do Bôa sobre o Zebu afirma que mais do que os três pontos agradou o futebol mostrado pelo time.

Hoje estréiam Social e Tupi, amanhã Democrata e e Guarani. Quem quiser fazer bom papel, não pode perder pontos em casa para equipes teoricamente do mesmo nível. Que o Saci e a Pantera fiquem espertos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

São Paulo foi rebaixado

Está no site da Revista Época:

O São Paulo caiu, sim, para a segunda divisão no Campeonato Paulista de 1990.

A polêmica é antiga, atiçada pelo clubismo cego e pela falta de memória do brasileiro. Foi reavivada por uma matéria da Folha de S. Paulo (para assinantes) da quarta-feira, 21 de janeiro de 2009, que questionava uma frase do guia oficial do Campeonato Paulista, publicado esta semana pela Federação Paulista de Futebol (FPF). "O São Paulo cumpriu uma campanha ruim, não se classificou nem na repescagem e foi rebaixado para a segunda divisão."

"FPF rebaixa o clube e 'suja' título de 91", escreveu a Folha. Diante da indignação dos são-paulinos, a FPF recuou e divulgou nota oficial dizendo que o texto de seu próprio guia "não procede". Culpou pelas informações o historiador Rodolfo Kussarev, que por sua vez culpou o livro A História do Campeonato Paulista (Publifolha, 1997), escrito pelo autor destas linhas e por Valmir Storti, à época repórteres da própria Folha de S. Paulo.

Procurado pelo autor da matéria, o repórter da Folha e comentarista da ESPN Brasil Rodrigo Bueno, às 18h daquele mesmo dia 21, consultei meu colega Valmir, hoje repórter freelance, e enviamos à Folha a seguinte declaração em comum.

"O livro foi escrito com base nas informações publicadas nos jornais da época, entre eles a própria Folha, onde os dois autores trabalhavam como repórteres em 1997, ano do lançamento do livro. Para esclarecer de vez a polêmica do rebaixamento ou não do São Paulo, sugerimos que a Folha reproduza o que ela mesma publicou em sua edição de 20 de junho de 1990."

Infelizmente a Folha só publicou a primeira parte de nossa declaração. Não acatou nossa sugestão: reproduzir o que ela mesma publicou em sua edição de 20 de junho de 1990.
Se o tivesse feito, seria obrigada a reconhecer: o guia da Federação Paulista estava certo. O São Paulo caiu, sim. De forma insofismável.

Como a Folha não o fez, o fazemos a seguir. Não houve meio-termo nem subjetividade nessa queda, como será provado abaixo com o texto do próprio jornal, publicado naquela ocasião.
Por mais que desagrade os são-paulinos, a verdade é a que segue:

Em 1990, o Campeonato Paulista foi disputado por 24 times. Havia a percepção de que eram times demais. Convencionou-se, então, que apenas 14 times disputariam o campeonato de 1991 – os 14 primeiros do certame de 1990. De alguma forma, o São Paulo "conseguiu" ficar em 15º, depois de ser eliminado na primeira fase (que classificou 12 times) e novamente eliminado numa repescagem (que classificou outros dois, completando 14). Para não melindrar susceptibilidades, o regulamento de 1990 dizia que "não haveria descenso". Era só uma fórmula de cortesia: os times que não entrassem entre os 14 disputariam o que, na prática, equivaleria a uma segunda divisão.

Esse regulamento não foi cumprido. Diante do rebaixamento do São Paulo, houve uma virada de mesa. Os times rebaixados em 1990 (não só o São Paulo, mas outros importantes, como a Ponte Preta) ganharam o direito de lutar por duas vagas nas finais. Foi assim que o São Paulo conseguiu a façanha, inédita no futebol mundial, de ser rebaixado em um ano e campeão no ano seguinte!
O argumento dos são-paulinos, portanto – de que o acesso no mesmo ano "já estava previsto" – é falso e errôneo.

Para não prolongar a explicação, reproduzo o texto da Folha de S. Paulo de 21 de junho de 1990 – dia seguinte ao dia em que o São Paulo caiu.

"SÃO PAULO VAI DISPUTAR A SEGUNDA DIVISÃO EM 91
Fernando Santos
Da Reportagem Local
O São Paulo foi eliminado pelo Botafogo na repescagem do Campeonato Paulista deste ano e vai disputar a Segunda Divisão em 91. O São Paulo goleou ontem o Noroeste por 6 a 1 no Morumbi, mas ainda dependia da derrota do Botafogo para se classificar. O time de Ribeirão Preto empatou em 0 a 0 com a Internacional em Limeira.
No próximo ano, o São Paulo vai disputar a série B do Campeonato Paulista, sem direito a lutar pelo título. É uma nova fórmula aprovada pelo conselho arbitral de clubes em janeiro. Farão parte dessa série os 10 clubes eliminados do campeonato deste ano mais quatro que vão subir da Divisão Especial.
(...) Resta ao São Paulo a chance de subir para a série A em 92. Apenas o campeão da série B sobe (...) Esta fórmula foi aprovada por unanimidade por todos os 24 clubes que iniciaram o campeonato este ano, segundo o presidente em exercício da Federação Paulista de Futebol, Antoine Gebran.
'Vamos cumprir a lei. Lei é lei', disse o diretor-adjunto do São Paulo, Herman Koester (...) Segundo ele, o São Paulo vai mesmo disputar a Série B, uma Segunda Divisão que só não recebe essa denominação por uma questão de nomenclatura jurídica. (...) Já o diretor de futebol Fernando Casal de Rey, 47, ainda não se deu por vencido. Ele disse que vai acionar o departamento jurídico do clube para saber se a aprovação da fórmula do campeonato de 91 é legal. Casal de Rey disse, sem ter certeza, que não existe um documento assinado pelos clubes sobre o assunto. Assim, ele poderia recorrer à Justiça Desportiva para mudar a fórmula. Ou seja, apelar para o tapetão. 'Estamos vivendo um pesadelo', disse Casal de Rey."

O resto é história conhecida. Houve a virada de mesa e, embora o São Paulo tenha disputado o equivalente à segunda divisão em 91, classificou-se para as finais, eliminando o Palmeiras, que vinha do grupo mais forte.

A Folha também ouviu, naquela ocasião, são-paulinos ilustres, como José Victor Oliva, o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger, e o ministro do Tribunal Superior do Trabalho Almir Pazzianotto. Todos reconheciam o rebaixamento, repudiavam a virada de mesa e reafirmavam que o São Paulo voltaria à primeira divisão na bola.
Estes são os fatos.

P.S.: Como o clubismo costuma influenciar a opinião até dos jornalistas que discutem polêmicas futebolísticas, cumpre informar o time de coração do autor deste texto. Ele é vascaíno. E promete que daqui a 20 anos não dirá que o clube dele não caiu.
Nota do blog: Polêmicas clubísticas a parte, belíssimo o texto do jornalista André Fontenelle. Quem entrar no link aí de cima poderá ver a reprodução das páginas da Folha de São Paulo do dia posterior à queda são-paulina.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Agora é pra valer

Após a participação de Atlético e Cruzeiro no Torneio de Verão, conquistado pelos celestes, após goleada, por 4 a 1, sobre o Nacional, mesmo placar que deu ao Galo a terceira posição, frente ao Peñarol, a temporada do futebol mineiro começa no próximo domingo. Doze clubes disputam o Campeonato Mineiro, com os oito primeiro se classificando para a fase seguinte e os dois piores sendo rebaixados para o Módulo II.

Além da novidade na fórmula, que ganhou uma fase a mais nos mata-matas, a atração é a volta do América, que no domingo já faz o clássico da rodada, contra o Atlético. O Coelho conta com antigos conhecidos da torcida – Evanilson, Wellington Paulo, Tucho, Euller – que prometem comandar o time rumo a uma temporada de vitorias.

O Triângulo Mineiro será representado por três clubes. O Ituiutaba, que desde 2005 disputa a elite mineira, Uberaba, que se salvou do descenso ano passado nas últimas rodadas e o Uberlândia, que tenta parar com a gangorra e se firmar na primeira divisão.

Democrata, de Gov. Valadares, e Social representam o leste mineiro, já que o Ipatinga amargará este ano a segunda divisão.

A região central do estado será representada pelo Guarani, de Divinópolis. O Bugre, se não faz campanhas de encher os olhos, sempre é uma ameaça aos grandes do estado quando joga no Farião. O Villa Nova, do presidente Luizinho, é outra equipe que conta com a força do seu estádio para fazer bom papel no campeonato.

O Tupi, de Juiz de Fora, busca em 2009 no mínimo repetir as duas últimas excelentes campanhas no Mineiro, quando chegou às semifinais. O Galo da Zona da Mata chega com moral após a conquista da Taça Minas Gerais, em 2008.

O Sul de Minas mais uma vez será representado pelo Rio Branco, de Andradas. O Azulão busca vôos mais altos em 2009.

Os grandes favoritos, Atlético e Cruzeiro, reforçaram bem os ataques. O Galo sonha em reviver com Eder Luis e Diego Tardelli grandes duplas que já vestiram a camisa alvinegra. O Cruzeiro manteve a base de 2008 e se reforçou com Weelington Paulista e Soares. No Torneio de Verão, os times funcionaram bem. O Galo marcou seis gols enquanto o Cruzeiro estufou as redes oito vezes.

Domingo as torcidas poderão matar a saudade das equipes pois a bola voltará a rolar nas alterosas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sobre o clássico

A vitória do Cruzeiro sobre o Atlético, no último sábado, foi justa. Mais entrosado, o time celeste aproveitou as falhas e do desencontrado Galo e marcou os gols justamente quando os comandados de Leão mais falharam.

É sabido que o 3-5-2 é um esquema que para ser utilizado precisa ser muito treinado e ter jogadores que saibam jogar assim. Creio que Leão apenas testou como opção e não irá utilizá-lo, tanto que volta ao 4-4-2 na partida de amanhã. E com esse esquema o Atlético teve até chances de, no mínimo, empatar o clássico.

Diego Tardelli e Soares podem fazer a festa das torcidas atleticana e cruzeirense este ano. Ambos tem faro de gol e, principalmente Tardelli, já caiu no gosto da Massa. Renan, ao contrário, não pode falhar. O clássico consagra e acaba com qualquer jogador, mesmo em um amistoso no meio da pré-temporada. Já Soares pode voltar a ser no Cruzeiro o jogador que se viu no Figueirense e passou longe de Fluminense e Grêmio.

Infeliz a idéia de alguém da diretoria atleticana de mandar os jogadores a campo com a camisa preta e dourada. Outra versão é que a fornecedora não entregou a tempo as camisas tradicionais sem patrocínio.

Perguntas Mineiras VI

Liberado pelo Lyon, qual será o destino de Fred, no Brasil? Cruzeiro, Fluminense ou Palmeiras?

***

Quem acredita que Keirrison ficará mais de um ano no Palmeiras?

***
Em qual mês do ano Carlos Alberto deixará de ser ídolo no Vasco?

***

A saída de Robinho do treino do City será mais um "beicinho" do jogador brasileiro?

Há 26 anos...



Morria Mané Garrincha, o anjo de pernas tortas.

"Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.
Garrincha, o anjo, escuta e atende: _

Gooooool!"

Vinícius de Moraes


Sugestão de leitura:

sábado, 17 de janeiro de 2009

Daqui algumas horas, clássico inédito




Atlético e Cruzeiro se enfrentarão, pela primeira vez, fora do Brasil. O Torneio Verano, ou Copa Bimbo, como é conhecida no Uruguai, veio em hora imprópria para os dois clubes. Com apenas dez dias de pré-temporada, certamente a qualidade técnica do clássico estará comprometida.

Certa vez ouvi alguém dizer que em se tratando de Atlético e Cruzeiro, se colocarem 11 camisas alvinegras de um lado, outras 11 azuis do outro, temos que ficar de olho que alguma coisa acontecerá.

Não existe clássico sem importância. Trata-se de um Atlético e Cruzeiro. E um clássico desses pode colocar em risco todo o restante do ano do perdedor, por mais que todos digam que não vale nada.

O Cruzeiro é o grande favorito. Manteve o mesmo bom grupo de jogadores de 2008 e tem, portanto, um time mais entrosado, mesmo com as ausências dos titulares Fabrício e Guilherme.

O atleticano vive a esperança da superação no clássico e de boas atuações de Junior, Tardelli, Eder Luis, Lopes. Mesmo estando todos fora de forma, alguns sem jogar há um bom tempo.

Alento para os atleticanos é que o alvinegro nunca foi derrotado pelos celestes fora de Minas Gerais. Foram cinco partidas, duas vitórias do Atlético, ambas em Ipatinga, por 4 a 1 e 2 a 1, e três empates, 2 a 2, no Distrito Federal e 1 a 1 e 0 a 0, também no Vale do Aço.

Já o Cruzeiro, além do entrosamento da equipe aposta em outro tabu. A última derrota para o rival foi em 29 de abril de 2007, quando foi goleado por 4 a 0, na 1ª partida da final do Mineiro daquele ano. De lá para cá foram oito encontros com sete vitórias celestes e apenas um empate. O Cruzeiro marcou 20 gols e o Galo apenas seis.

Amanhã, à partir das 16h20, mais uma página da história do maior clássico de Minas começará a ser escrita.

Uma importante página internacional.