terça-feira, 30 de junho de 2009

Anoiteceu em Porto Alegre




No ano de 1990, os Engenheiros do Hawaii lançaram o disco mais conhecido da banda gaúcha.

O papa é pop.

Entre as faixas, uma que é o título deste post.

Na letra, os versos abaixo:

eu trago comigo os estragos da noite
eu trago comigo os estragos da noite
eu trago comigo os estragos da noite
(meu reino por um rosto, pelo resto da noite)

Porto Alegre tem tudo para viver duas noites inesquecíveis para o futebol brasileiro.

Os dois gigantes do estado disputam amanhã e quinta-feira o título da Copa do Brasil e a vaga na final da Libertadores.

Ambos estão em desvantagem.

Em ambas partidas foi criado um clima de guerra.

Na decisão nacional, um dossiê fora de hora produzido pela diretoria colorada, apontando erros que, supostamente, favorecem o Corinthians dede 2005.

Para colocar mais lenha na fogueira o árbitro para a decisão é o jovem Ricardo Marques Ribeiro.

O mineiro é árbitro FIFA desde o final do ano passado e muito bom tecnicamente.

Mas tem apenas 30 anos e nunca apitou jogo tão complicado.

Em Minas Gerais, por exemplo, sequer comandou um Atlético e Cruzeiro.

A atual diretoria atleticana alega que ele trabalha com o vice-presidente do Conselho Deliberativo celeste.

Foi acusado no começo do ano pelo presidente Alexandre Kalil de favorecer o Cruzeiro.

É um batismo de fogo que pode queimar um árbitro promissor.

Bom senso passou longe da Comissão de Arbitragem da CBF.

O clima de guerra entre Cruzeiro e Grêmio começou após a partida da semana passada.

Acusação de racismo entre jogadores; polícia, políticos e cartolas colocaram o time em campo.

Cada um querendo aparecer mais que o outro, em busca dos holofotes que deveriam estar apenas em cima dos jogadores.

O Cruzeiro que se prepare para uma guerra.

A torcida gremista está inflamada mais do que deveria.

Cartolas gremistas fizeram o favor de, também, colocar lenha na fogueira alegando, semana passada, que estavam criando um clima de guerra em Porto Alegre.

Até os governadores dos dois estados se mobilizaram.

Que possamos comentar, após essas duas partidas, apenas o futebol dentro das quatro linhas.

Que fiquem de fora erros de arbitragem, especulações, racismo e violência.

Que o anoitecer em POA não seja acompanhado dos estragos da noite.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Tom Zé e Michael Jackson

Nunca fui fã do Michael Jackson.

Não tenho sequer um LP, CD, DVD do rei do pop.

Gosto muito de duas músicas dele. “Thriller”, que marcou minha infância e “Heal the World”, que acho uma interpretação simplesmente excepcional e tem gente que acha que é do KLB. Há também quem jure que Além do Horizonte é do Jota Quest. Mas, enfim, isso é outra história.

Há personalidades com um talento tão absurdo, que não é preciso ser fã para admirar.

Jackson é um deles.

O que acompanhei da tumultuada vida do cantor, dançarino e compositor foi pela imprensa e o talento dele deveria superar, e muito, todos os escândalos que envolveram sua curta vida.

Mas o sensacionalismo prefere bater nos erros do ser humano.

Exceto quando este ser humano morre de forma repentina.

Aí sim resolvem falar da obra e tentar encontrar explicações para a morte.

Abaixo, uma poesia sensacional de Tom Zé, em homenagem a Michael Joseph Jackson, publicada na Folha Online.

Como disse meu amigo Flávio Bicalho, “morreu um ícone da nossa geração. Isso é esquisito".

AMADO MICHAEL(Tom Zé)

Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.

Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.

Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.

Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.
II

Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.

Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?
Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição
Enquanto gera para os olhos de Megera.

Seleção do Dunga é campeã de novo



Foto: Agência AFP

O Brasil é três vezes campeão da Copa das Confederações.

A vitória suada de ontem, sobre os EUA, por 3 a 2, após estar com 2 a 0 contra, foi e tem que ser mesmo muito comemorada por jogadores e comissão técnica.

Talvez, para a seleção, tenha até sido melhor um título tão complicado de ser conquistado, pois na última Copa das Confederações o caneco veio com uma goleada sobre os argentinos, o que deixou eufórica a imprensa do oba-oba e todo mundo sabe o como terminou o que vale mesmo, que é a Copa do Mundo.

Todos, inclusive este blogueiro, estão tendo que engolir o Dunga.

Não concordar com as convocações e a forma que o time joga é direito de todos, mas os números são indiscutíveis.

Duas competições com a seleção principal e dois títulos, liderança nas eliminatórias e, diga-se, o time está jogando melhor do que há um ano, por exemplo.

Desde a goleada sobre Portugal, em Brasília, no final do ano passado, o time melhorou e faz apresentações convincentes na maioria das vezes que entra em campo.

A base da seleção está formada, pouca coisa deve mudar até a convocação para a Copa da África do Sul.

Algo que certamente não mudará de forma alguma é a comissão técnica e Dunga será o comandante da seleção na busca pelo sexto título mundial.
Se o título vier no próximo ano, Dunga estará para sempre na história, com a seleção jogando bem ou não. Poderá ser campeão do mundo e criticado, como Parreira ainda é, devido a forma da seleção de 1994 jogar.
Caso fracasse, ouvirá um bombardeio de críticas, mesmo que convoque os jogadores certos e que tenha todo o apoio às vésperas do embarque para a África do Sul. Poderá ser para sempre lembrado como o treinador que convocou o André Santos para uma Copa do Mundo.

A 8a rodada

Este blog acertou apenas quatro palpites na rodada.

Também, apostando no Santo André, contra o Vitória (4 a 1 rubro-negros), no Barradão, é querer demais.

Os outros palpites certeiros foram mais do que esperados.

A vitória do Cruzeiro (1 a 0), sobre o Avaí. Embora com time reserva e sendo sufocado, os celestes se recuperaram e subiram para a 9ª posição;

O triunfo do Sport (3 a 1), sobre o Grêmio, com direito a dois gols de ex-atleticanos pouco aproveitados em MG;

A importante vitória do Inter (3 a 0), sobre o Coritba. O resultado de ontem é exatamente o que o Colorado precisa na quarta-feira, na final da Copa do Brasil. De lambuja, o time quebrou uma série de seis partidas sem vitória e colou no líder Galo.

E a vitória do São Paulo (2 a 0), em cima do Náutico, na primeira partida sob comando de Ricardo Gomes.

Os outros chutes foram todos para fora.

Nos clássicos regionais, dois empates. O Palmeiras, com técnico interino, e o Santos (1 a 1) e o morno Fla-Flu, (0 a 0).

O Galo jogou mal e foi derrotado pelo Barueri, por 4 a 2. O Atlético, aliás, perdeu sete pontos para três equipes que vieram da Série B. Caiu a invencibilidade alvinegra, mas a liderança continua.

O Botafogo começa a preocupar seriamente a torcida. O time é limitado, foi goleado em casa pelo Goiás, 4 a 1, e segura a lanterna. O time do cerrado foi o único visitante a vencer na rodada, que teve 29 gols em 10 partidas.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Palpitão da 8a rodada




Meio improvisado, seguem os palpites para a rodada:



Barueri x Atlético: O líder volta a São Paulo para enfrentar pela primeira vez na história o dono do resultado mais surpreendente da última rodada. Empate

Atlético/PR x Corinthians: Será a quinta partida em casa, de oito disputadas pelo Furacão. E até agora nenhuma vitória. E acredito que assim ficará. Contra o Timão preocupado com a decisão de quarta-feira, empate.

São Paulo x Náutico. O São Paulo precisa começar vida nova a partir desta rodada. Pior para o Timbu. São Paulo.

Cruzeiro x Avaí: Adilson deverá escalar novamente os reservas contra o Avaí. Mas não acredito em surpresas desta vez. Cruzeiro.

Botafogo x Goiás: Está cada vez mais difícil acreditar no Botafogo. Contra o Goiás, rei do empate; empate.

Vitória x Santo André: O Santo André é o time dos resultados surpreendentes como visitante. Este é chute pra ganhar bolão sozinho: Santo André

Palmeiras x Santos: Já teve jogo polêmico entre os rivais esse ano. No Palestra, Palmeiras.

Inter x Coritiba: Terá acabado o encanto do Inter? São seis jogos sem vencer. Enfrenta um embalado Coritiba e o colorado ainda pensa na Copa do Brasil. Para chegar forte no meio de semana, Inter.

Sport x Grêmio: O vice-lanterna contra o tricolor voltado para a Libertadores. Sport.

Fluminense x Flamengo: Qual Flamengo enfrentará o grande rival? O que goleou ou o que foi goleado? Flamengo

quinta-feira, 25 de junho de 2009

No sufoco, Brasil é finalista


O que teria passado na cabeça do Dunga quando a cobrança de falta do Daniel Alves foi morrer nas redes do goleiro Khune, aos 43`do 2º tempo?

“Eu sou f @#$%” ?

Dunga ousou e colocou Daniel Alves na lateral-esquerda no lugar de André Santos.

Li em algum lugar que se o grupo brasileiro tem dois bons laterais-direitos, porque não testar um deles na esquerda?

Não sei se é o caso dessa improvisação, mas brilhou a estrela do treinador brasileiro.

Enquanto o jogo se desenrolava, a torcida africana aos poucos foi acreditando nos Bafana Bafana que fizeram, diga-se, bela partida.

Antes do salvador gol de Daniel Alves acredito até que os torcedores pensavam que a vitória dos donos da casa viria na prorrogação.

Daí o silêncio das vuvulezas após a bela cobrança de falta do brasileiro.

Sobre a partida, ficou claro que a seleção brasileira sofre muito quando joga com um time que marca forte, seja Argentina, Colômbia, Bolívia ou África do Sul.

Domingo, Brasil e Estados Unidos voltam a se encontrar.

Cruzeiro próximo da decisão

Após Fabinho marcar o terceiro gol do Cruzeiro, ontem, no Mineirão, gritos de tricampeão ecoaram pelo estádio. Afinal, 3 a 0 – W.Paulista, Wagner e Fabinho – era uma vantagem enorme.

Até mesmo os gremistas, tidos como imortais, cabisbaixos, não acreditavam que o tricolor revertesse a situação no Olímpico.

Então, aconteceu a contusão do árbitro Henrique Osses quando o Cruzeiro sufocava o Grêmio e estava próximo de marcar o terceiro.

O jogo esfriou e, de falta, Souza marcou o golzinho que deu sobrevida ao tricolor gaúcho.

Nos minutos finais e após a partida a festa da torcida cruzeirense ainda acontecia, mas com menos entusiasmo. Gremistas, ao contrário, apontavam para as lentes dedos mostrando 2 a 0 e um largo sorriso como se aquela cobrança de falta tivesse empatado a partida.

O Grêmio diminuiu o prejuízo, mas a vantagem celeste ainda é enorme.

O time mineiro está com um pé na decisão continental.