terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Filho de Barão de Cocais

Está no blog do Torero e na Folha de São Paulo

JOSÉ ROBERTO TORERO

Zé Cabala e o craque do assobio

De estilo refinado, à la Dener, meio largadão, mas bom de bola, Geraldo Assobiador morreu no auge da carreira


"ELE ESTÁ lá no quartinho dos fundos", disse Gulliver, apontando-me a direção com o queixo. Com poucos passos, cheguei ao sacrossanto templo de Zé Cabala, que pode não ser imponente como uma basílica, belo como uma mesquita, alto como uma sinagoga ou espaçoso feito um terreiro, mas é um lugar de milagres e maravilhas. Fui encontrar o mestre dos mestres alimentado seu sabiá, que ele chama de Nelson Gonçalves. Quando me viu, Zé Cabala não falou nada. Só sentou em sua almofada na posição de lótus, fechou os olhos e começou a assobiar. Imitou pássaros, soprou cantigas e fez uns trilados. Aí ficou de pé, deu uns giros e, quando parou, disse: "Geraldo Cleofas Dias Alves, às suas ordens." "Quem?" "Não me conhece? Nasci em Barão de Cocais, lá em Minas, em 1954." "Não, acho que não..." "Eu era do Flamengo." "Ainda não..." "Fui campeão carioca em 74, joguei pela seleção na Copa América de 75 e fiz muita tabelinha com o Zico. Ele era meu chapa. Nos nossos tempos de juvenil, volta e meia eu dormia na casa dos pais dele. O seu Antunes, pai do Zico, dizia até que eu era o seu filho marronzinho." "Puxa, não estou lembrado..." "Fiz 13 gols em 169 jogos." "Você vai me desculpar, mas..." "Tem uma coisa que vai ajudá-lo: quando fazia uma jogada diferente ou um drible bacana, eu assobiava." "Claro! Geraldo Assobiador!" "Fiiiiiu! Até que enfim!" "Muita gente dizia que você ia ser um novo Pelé." "Exagero. Eu era mais assim do estilo Dener, Robinho..." "Jogava com a camisa para fora, as meias arriadas..." "Eu era meio largadão mesmo." "Dizem que você era nome certo para a Copa da Argentina." "Ah, ali pelo meio da década de 70, eu estava jogando muito bem. O fino mesmo. Fazia umas coisas diferentes, sabe? E aí assobiava. Mas não era para tirar sarro do zagueiro, era por gosto mesmo, igual passarinho. Que nem naquele Fla x Flu de 1976, quando eu dei um passe de calcanhar para o Zico fazer o gol. Fiiiiiu! Muita gente lembra até hoje." "Também teve um lance famoso com o Luizinho, não é?" "Pois é. Um dia, num treino, o cara reclamou que eu segurava muito a bola. Então no jogo seguinte, contra o América, eu falei para ele: "Luizinho, você quer que eu lhe passe a bola, né? Então, quando o juiz apitar o começo do jogo, toca para mim e corre para o gol". Pô, dito e feito, eu segurei a bola por um tempinho, lancei e ele pimba! Marcou. Fiiiiiu! Quem se distraiu perdeu o gol." "Sua carreira acabou cedo, não é?" "É. Eu tinha só 22 anos. Fui fazer uma operação besta, tirar as amídalas, mas tive um choque anafilático, uma parada cardíaca e fiiiiiiiu..." "Morreu no melhor momento da carreira." "O melhor nem tinha começado. Ah, os gols que deixei de marcar... Os dribles que deixei de fazer... Os assobios que deixei de dar... Tudo o que podia ter sido e não foi... Morrer jovem é a coisa mais triste que tem." Então ele fechou os olhos e soltou um longo assobio, um assobio dolorido e triste, e eu saí de mansinho.


Nota do blog: Sempre ouvi histórias sobre "Geraldo do Flamengo", como é conhecido em Santa Bárbara e Barão de Cocais. Algumas delas falam que seria melhor que Zico, caso não tivesse partido tão precocemente. Geraldo é de uma família que sempre respirou futebol, em uma cidade que frequentemente revela atletas, de grande qualidade ou não, para o futebol brasileiro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Clássico quente

Não assisti ao clássico.

Aliás, ouvi muito pouco da partida.

Mas conversei com quem estava no Mineirão, com quem entende muito de arbitragem e ouvi todas as entrevistas e comentários pós-jogo.

Alício Pena Junior é muito infeliz quando apita partidas do Atlético.

Foi muito mal mais uma vez. Para azar dele, justo no clássico.

Ele se perdeu completamente após não marcar a falta em Carlos Alberto e expulsar Thiago Heleno. E não existe mais esse argumento de “último homem”. Existe, sim chance clara de gol.
Na minha opinião, a falta de Welton Felipe não foi para cartão.

Como o pênalti marcado a favor do Atlético também não existiu.

Mas a nona derrota alvinegra em dez partidas para o rival se justifica, também, pelo amarelão de Yuri na cara de Fábio, os gols perdidos quando estava 1 a 0, as DUAS falhas de Juninho.

O décimo jogo sem perder para o Atlético pode ser justificado como exemplo da grande superioridade que o time comandando por Adilson Batista tem no momento. Possui elenco mais qualificado, mais time, mais entrosamento, mais jogadores diferenciados que o rival.

A impressão que se tem é que a continuar assim o Cruzeiro vencerá o Campeonato Mineiro com um pé nas costas.

Começou a temporada

Um torcedor atleticano foi morto quando se dirigia ao Mineirão para assistir ao clássico entre Cruzeiro e Atlético. O assassino, supostamente cruzeirense, passou de motocicleta em frente ao ponto de ônibus onde se encontravam alguns atleticanos e disparou uma arma de fogo. Dois torcedores foram atingidos, um não sobreviveu. O jovem morto tinha 20 anos e segundo informações de testemunhas estava “a paisana”, ou seja, na linguagem das torcidas organizadas, sem camisa que o identificasse.

Ao contrário de São Paulo, onde os ânimos estavam exaltados pela polêmica da carga de ingresso, em MG a semana foi tranquila. Não houve provocações de dirigentes, nenhum jogador fez declarações polêmicas que inflamassem os torcedores, justificativas muito usadas para tentar entender tragédias como a que aconteceu na Avenida Silviano Brandão.

Em São Paulo, pernas quebradas, gente pisoteada, bomba de gás lacrimogêneo atirada pela Polícia Militar. Todas as entrevistas e comentários de cronistas esportivos apontam os homens da lei como responsáveis pela confusão com torcedores do Corinthians.

No Rio de Janeiro há registro de confusão antes do clássico entre Flamengo e Botafogo, pela Taça Guanabara.

A temporada no futebol brasileiro começou “oficialmente” ontem.

E na semana que anteceder os próximos clássicos entre Atlético e Cruzeiro em 2009, este blog lançará a campanha TORCEDOR, NÃO VÁ AO ESTÁDIO junto à sua meia dúzia de leitores.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Santa Bárbara na imprensa

Está no Portal UAI e no jornal Estado de Minas

Centro de Santa Bárbara ganha de volta contornos históricos

Gustavo Werneck

Santa Bárbara – À primeira vista, parece que o Centro Histórico está de pernas para o ar: as pedras foram retiradas, as ruas seculares exibem a cor do minério de ferro e os prédios de fachada branca guardam as marcas da poeira vermelha. Mas, aos poucos, vê-se que a cidade da Região Central, a 105 quilômetros de Belo Horizonte, passa por um processo de revitalização, que traz de volta o desenho original das vias públicas, com calçamento de pedra, e realça os contornos das igrejas e casarões coloniais. A expectativa é de que as obras iniciadas em abril de 2008 sejam concluídas até o fim do ano, a um custo de R$ 2,5 milhões, bancados pelo Ministério do Turismo e prefeitura local.Em alguns trechos, já é nítida a mudança do visual da Região Central de Santa Bárbara, que, este ano, lembra o centenário de morte do filho ilustre, o ex-presidente da República Affonso Penna (1847-1909), primeiro mineiro a ocupar o cargo, numa eleição por voto direto. Para garantir mais beleza ao Centro Histórico – o projeto de revitalização é da arquiteta Mariza Machado Coelho – saíram muitos bloquetes de concreto, dando lugar aos paralelepípedos. E, onde já havia pedra, vem a restauração. Antes desses serviços, a rede elétrica e os telefônicos deixaram de ser aéreos para ficar subterrâneos, sendo trocada também toda a antiga rede de esgoto.Mesmo andando com todo o cuidado por algumas ruas, devido à falta, ainda, de meios-fios e pavimentação, os moradores aplaudem o trabalho empreendido pela prefeitura. Na tarde dessa quinta-feira, caminhando pela Rua Governador Valadares, perto da Matriz de Santo Antônio (1724), a funcionária da igreja, Nadir Maria da Silva, de 61 anos, disse que “está tudo muito bom”, pois a iniciativa recupera a beleza da cidade, que ela conheceu nos tempos de juventude. O estudante de sistema de informação, Eduardo Henrique de Almeida, de 22, destaca a rica cultura da terra e acredita que, com a requalificação urbana, haverá crescimento do turismo.Dona do Restaurante Uai, na Rua João Mota, Maria das Graças Gomide Figueiredo também gosta do que vê, mesmo convivendo com os transtornos decorrentes da poeira e outros efeitos da intervenção. “Lembro que Santa Bárbara tinha esse tipo de calçamento, acho que a recuperação vai valorizar o patrimônio e o comércio”, afirma. De acordo com informações da prefeitura, o calçamento nas ruas ao redor da Praça Cleves de Faria (em frente à matriz e à prefeitura) – Rabelo Horta (do fórum), Conselheiro Afonso Pena e da Estação – já está concluído. Na sequência, serão feitas as obras nas praças do Rosário e da Matriz.Pedestre ganha espaçoO prefeito da cidade, Antônio Eduardo Martins (PTB), o Toninho Timbira, diz que o projeto prevê a colocação de postes e luminárias adequados à paisagem urbana, além de bancos com e sem encosto, abrigo de ônibus, lixeira, bebedouro, barracas para feira e uma espécie de pérgula para o mirante, em que as pessoas poderão passear e contemplar a paisagem. Segundo ele, a revitalização vai resgatar o espaço público central da cidade como território prioritário do pedestre. “Queremos que as pessoas tenham mais um ambiente para a convivência e que a história local seja preservada”, ressalta.Um passo importante para que o núcleo central, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), priorize o pedestre está na reformulação das vias de circulação de veículos. Para tanto, uma das medidas foi a construção de uma avenida de acesso ao Centro da cidade, que afasta o trânsito pesado das construções dos séculos 18 e 19. Outra ação programada é a construção de uma ponte sobre a estrada de ferro da Rua Conselheiro Afonso Pena. No trecho da ponte, o passeio será alargado para maior segurança dos pedestres e, na parte mais inclinada, junto ao muro da Casa da Cultura, será colocado um guarda-corpo para conforto dos transeuntes. O alargamento dos passeios também está programado para toda a extensão do Centro Histórico.

O link: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2009/02/13/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=99038/em_noticia_interna.shtml

Nota do blog:
Tomara que a obra realmente valorize o centro histórico e torne a cidade atrativa para os turistas.
"Moradores aplaudem o trabalho" - Não é bem assim. Conheço muitos que já estão irritados com a demora.

Acusações contra Dinamite

Mesmo após as acusações contra o presidente do Vasco, Roberto Dinamite, ainda acredito que o jogador Dinamite não merecia a segunda divisão, como pode ser lido aqui.

As acusações do ex-diretor vascaíno são graves e precisam ser investigadas e dignas, se comprovadas, de impeachmeant.

Mas, em qual clube brasileiro não há ou houve nepotismo?

Qual diretoria nunca fez acordo com torcidas organizadas?

O Vasco errou feio em um ano que os erros precisam ser mínimos.

Mas pegar apenas o time da cruz de malta pra Cristo e clamar por justiça no futebol brasileiro é injusto.

Por que não realizar uma investigação profunda nas administrações dos grandes clubes brasileiros que, muitas vezes, levaram alguns desses à falência?



O melhor ataque do Brasil

Após as partidas do meio de semana pelos campeonatos regionais, tabela de gols dos atacantes atualizada.
Destaque para Diego Tardelli, do Atlético, que colou em Keirrison, do Palmeiras, e para o Cruzeiro, que colocou mais um atacante na lista.

Abaixo os números de cada atacante (somente atacantes)*:

1º Keirrison (Palmeiras) – 8 gols
2º Diego Tardelli (Atlético) – 6 gols
3º Lenny (Palmeiras), Taisson (Inter), Victor Simões (Botafogo) – 5 gols

4º Kleber Pereira (Santos), Washington (São Paulo) – 4 gols
5º Nilmar (Inter), Wellington Paulista e Soares (Cruzeiro), Jonas (Grêmio) – 3 gols
6º Reinaldo (Botafogo), Eder Luiz (Atlético), Roger (Fluminense), Otacílio Neto (Corinthians), Carlos Alberto, Rodrigo Pimpão e Faioli (Vasco), Marcelinho Paraíba (Flamengo), Robson (Santos) – 2 gols
7ºAlessandro (Cruzeiro),Josiel (Flamengo), Roni (Santos), Jorge Henrique, Souza (Corinthians) – 1 gol cada

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Leão está manso

O Villa Nova teve um centenário como tantos outros clubes.

Para ser esquecido.

Exemplo maior está logo ao lado, em BH, com o Atlético, que teve no mesmo 2008 um centenário tão vexatório quanto o do Leão do Bonfim.

Claro, guardadas as devidas proporções. A frustração foi maior em Lourdes pelo gigantismo do Atlético frente ao Villa no cenário nacional.

O simpático time da apaixonante Nova Lima começou 2009 com eleições para presidente e brigas nos bastidores do clube alvirrubro.

Subiu ao cargo máximo Luizinho, brilhante zagueiro do próprio Villa, do Atlético e da seleção brasileira.

E um dos maiores ídolos do Leão pode ficar marcado como o presidente do clube no ano da queda à segunda divisão do mineiro.

Queda que não será inédita, caso aconteça.

O Villa amargou o Módulo II em 1995.

Não é tentativa de prever o futuro, mas o destino do Villa Nova neste Mineiro parece sombrio.
O clube disputou quatro partidas e não conseguiu pontuar.

Restam 21 pontos em disputa para o Leão do Bonfim.

Nos últimos quatro estaduais, a primeira equipe fora do rebaixamento fez 10 ou 11 pontos.

Na melhor das hipóteses seriam três vitórias e um empate em sete jogos. Lembrando que o Villa ainda enfrentará o América (em casa), Atlético, Tupi e Uberaba como visitante. O alento maior são os confrontos com Guarani, Uberlândia e Social no Alçapão do Bonfim.

Mas pior que a matemática é o futebol apresentado pelo inexperiente e fraco time de Nova Lima.

E se o time não jogar futebol, não há número que resista.